quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Rápida desilusão do crédulo

 

Rápida desilusão do crédulo

 

Péricles Capanema

 

Currículo impressionante. Henrique Meirelles foi presidente do Banco Central no governo Lula, secretário da Fazenda em São Paulo no governo Doria e ministro da Fazenda no governo Temer. Antes, fizera carreira como banqueiro internacional, chegando a presidente do Banco de Boston. São funções, se bem executadas, incompatíveis com credulidade, ingenuidade e precipitação. Candidato à Presidência, um de seus slogans foi “Chama o Meirelles”; isto é, quando a situação ficar preta, ainda existiria saída, chamar o Meirelles.

 

Apoio desconcertante, com ufana e confessada base na realidade. O financista só agiria com base nos fatos, infenso às ilusões, refratário às expectativas vazias. Ou enganosas. Meados de setembro último, dias antes do 1º turno, o antigo ministro da Fazenda se apressou em declarar apoio a Lula. Ensaiou tomada de posição retumbante, contribuiu para diminuir temores nos setores mais ligados à livre iniciativa, em especial mercado financeiro ▬ mais ainda, no Brasil inteiro. Meirelles esperaria contrapartidas? Compromissos? Teria recebido promessas de retificação de rumos? Algum dia talvez a História revele conversas e acordos de bastidores, cumpridos ou abandonados. O antigo presidente do Banco de Boston exsudava segurança e confiança: “Quero me ater a fatos específicos e que mostram a comparação brutal. Quando trabalhamos juntos no governo, trabalhamos oito anos. Nesse período, mais de dez milhões de empregos foram criados, isso é um fato, não é questionável”. Continuou acelerado no mesmo rumo, crescimento, retirada de pessoas da pobreza: “Durante aquele período, além de um crescimento forte, inflação na meta”. Aproveitou para criticar a inflação atual, “corrói todo o padrão de vida da população".

 

Proclama de novo, os fatos estão na origem do apoio enfático. O que interessa são os fatos, assegura, com esteio neles vamos ter avanços em ambiente favorável à geração de emprego e renda. E então, de novo, diante de Lula, mostrou que o caminho aparecia ensolarado: “Isto é, na minha opinião, o que interessa. Eu olho e vejo o resultado do seu governo, isso nos faz estar aqui. Estou aqui com tranquilidade, com confiança, porque eu sei o que funciona e o que pode funcionar no Brasil”. Ele sabe, é do ramo. Confiante, tranquilo, dava o diapasão para o Brasil na possível administração petista. Voltou às loas dias depois: “Meu apoio ao Lula deriva da minha confiança na possibilidade de ele agir para mudar esse quadro. De entender o que é necessário ser feito e de fazer o que é suficiente para recuperar a nossa economia. Com responsabilidade fiscal e social. Eu tomo decisões baseado em fatos e isto ocorreu quando ele foi Presidente”. Apoio com base em fatos, reafirmava. Acenava a investidores: “Hoje, o nível de confiança do investidor no nosso País é baixo. É o que acontece, quando há dúvidas sobre o cumprimento de compromissos, sobre o respeito a regras. Quando não há previsibilidade e confiabilidade na condução da economia. Quando as políticas fiscal e monetária caminham em sentidos opostos”. Lula permanecia tergiversando, fugindo de compromissos, pedindo união pela democracia aos nvos convertidos. Mas só.

 

Fatos? O caminho hoje já não se apresenta ensolarado. Está sombrio, destino incerto. O fato bruto e chapado, incontroverso era e continua o mesmo, a ambiguidade permanente e a desconversa contínua de Lula. Não se comprometeu com nenhum programa econômico. E nem vai se comprometer. O PT tem pronto seu plano econômico de governo (e das outras áreas também), vai aplicá-lo. Rui Falcão, ex-presidente do PT, um dos chefes da campanha, avisou há pouco aos navegantes ainda inadvertidos: “O que se cobra do Lula é assumir um programa que não é o nosso". O programa “nosso” não será modificado, vai ser aplicado, já o foi nas administrações passadas. É regressivo, intervencionista, estatizante; e assim, pela fuga de capitais e pouca inovação, empobrecedor. Receita para o atraso. Menos investimentos, menos empregos, salários com viés de baixa. Como historicamente aconteceu nos países que atraem a admiração petista, Cuba, Venezuela, Nicarágua, entre outros, atolados no retrocesso e na exclusão das grandes maiorias das rotas que levam ao crescimento e à prosperidade.

 

A desilusão. O tom de Meirelles mudou. Não só o tom, o conteúdo também. Ele “caiu na real”, A menos de quinze dias do segundo turno, os ouvintes eram membros da conceituada consultoria Eurasia Group, quando Henrique Meirelles, talvez inadvertidamente, confessou que agira com escasso ou nenhum discernimento poucos dias antes.

 

Gato por lebre. Palavras do homem que se gabava, só acreditava em fatos: “A eleição é muito apertada neste momento. As chances de Lula são maiores, mas ainda acredito que o presidente Jair Bolsonaro tem uma chance real de vencer” Meirelles dividiu o período petista, 14 anos, em três governos diferentes, o primeiro, com responsabilidade fiscal, o segundo, com certo afrouxamento fiscal, o terceiro recessivo. E observa: “A grande questão agora é qual Lula tomará posse. Se você pegar seu atual programa de governo, seria uma má notícia”.

 

Retrocesso na economia. Segundo Meirelles, de momento, o mais provável é termos de engolir uma “má notícia”, no caso da vitória de Lula, está vitorioso o terceiro período. O programa econômico anunciado é intervencionista e estatista, desestimularia a iniciativa privada. Rui Falcão já avisou, o programa é o “nosso”. Meirelles julga que o programa foi elaborado com concepções que predominavam no período Dilma Rousseff: “Quem desenvolveu o programa foi um grupo de economistas que acreditam fortemente no papel do Estado e das empresas estatais na promoção do desenvolvimento. Essa visão prevalece neste momento”. Pairava no ambiente um dado talvez promissor, o novo Congresso tem feitio conservador. Pontuou Meirelles: “Minha resposta para saber se ele [o governo]  se tornaria mais conservador por causa dos resultados do Congresso é não".

 

A realidade esbofeteada. Em suma, em seu apoio açodado (pouco refletido, para dizer o mínimo) à volta de Lula, Meireles deu as costas para os fatos, estapeou a realidade, deixou-se embair por patranhas ilusionistas. Sua credulidade não apunhalou apenas ele. Foi além, corroeu no público resistências à agressão não somente estatizante em curso, à vera totalitária, travestida, na tentativa de vencer oposições enormes, de roupagem democrática e pena dos pobres. Resistências hoje mais necessárias que nunca.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Embuste

 

Embuste

 

Péricles Capanema

 

Ambiguidade, tática generalizada. Até agora, com surpreendente êxito, pelo que se percebe. Políticos e personalidades dos mais variados âmbitos da vida pública (melhor, da vida que se publica) brasileira estão manifestando apoio a Lula no 2º turno, alegando como razão principal ou única o compromisso com a democracia da chapa petista ▬ PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede, Solidariedade, Avante e Agir. Compromisso que autenticamente não pode existir se o PT não renegar princípios e atuação política de décadas num mesmo rumo. Conduta e princípios, reitero. Se renegar, o que sinceramente duvido, ótimo. Estaria aberto o caminho para aceitar o compromisso de não lesar a democracia e respeitar a Constituição. Se não renegar, o compromisso (que até agora de forma inequívoca não houve, haja vista a recorrente afirmação de regulamentar a imprensa), será hipócrita, oco, mero engodo para obter apoios políticos e votos. Outra razão alegada pelos adesistas (kerenskys de 2022), a expectativa de condução responsável da economia, mesmo com atropelos na prática democrática. Haverá tal condução? Análise madura, enraizada na experiência anterior e na história de partidos semelhantes, apontam para destruição dos fundamentos saudáveis da economia, três dos quais, já se vê, inexistirão certamente: âncora fiscal, segurança jurídica, atração de investimentos. Daí, menos emprego, menos renda, salários mais baixos. O que se ouviu até agora da parte de economistas e figuras do setor financeiro foi decepcionante, para dizer o mínimo, aceitação de um cheque em branco. Na prática, a coligação lulista recebe os apoios, mas continua nadando no pântano das ambiguidades. Nenhuma clareza, nenhum compromisso formal.

 

Retrocesso, atraso, obscurantismo. A ausência de limpidez, a fuga célere dos esclarecimentos, a obscuridade empregada como arma política, a persistente e difusa ambiguidade, a manutenção obstinada incerteza quanto aos rumos, a confusão em que potenciais aliados são mantidos, a opacidade cultivada (não transparência) geram profunda suspeição quanto à conduta futura, degradam a vida pública e adensam o ambiente obscurantista, já pesadamente tóxico. São retrocessos na dura caminhada nacional rumo a uma vida pública decente. Esta ambiguidade, contudo, no caso esconde clareza solar, facilmente perceptível para observadores atentos. As razões últimas do procedimento petista são diáfanas: já existem os compromissos e as intenções e eles não serão abandonados. No máximo, se pressionados, serão aplicados com gradualismo ▬ é programa de asfixia progressiva de direitos, possibilidades e liberdades.

 

Embuste e exclusão social. Uma vida pública estaqueada despudoradamente sobre a ambiguidade significará a aceitação permanente do embuste como componente da política brasileira. Levará para a exclusão, afugentará da benéfica participação nos assuntos do bem comum milhões e milhões, dispersos em todas as condições sociais, desgostosos com o ambiente carente de decência, clareza e firmeza. O que, obviamente, dificultará a inclusão social crescente, sempre urgente, proveitosa e necessária dos excluídos da sociedade brasileira. Inibirá avanços civilizatórios.

 

Democracia fake como recurso eleitoral. Para legitimamente afirmar que o PT e Lula representam garantia democrática, já disse e repito por necessário, é indispensável deles exigir previamente a censura às ditaduras liberticidas do mundo inteiro. Não quer a democracia e nem a garante quem apoia Cuba, Venezuela, Nicarágua, Rússia e China. E repetidamente os apresenta como inspiração. Todos viram, os tiranos no mundo inteiro ficaram eufóricos com a vitória de Lula no 1º turno. A euforia das tiranias evidencia rumo incontroverso em possível vitória petista. Exemplo disso constitui a carta jubilosa de Daniel Ortega, o cruel ditador da Nicarágua, que anda encarcerando os bispos católicos que cometem a ousadia suprema de discordar de sua repressão dos anseios populares: “Querido companheiro e irmão Lula: a luta continua e a vitória é certa, estamos com vocês, com Rosângela, Dilma, Gleisi, percorrendo novos caminhos”.

 

Princípios liberticidas. Não basta exigir que reneguem o comportamento. Por obrigação de coerência, imposição da incoercível força da lógica, é preciso ir além e mais fundo. A persistente e reveladora conduta liberticida do PT, que vem desde sua fundação há mais de 40 anos, apoiando por todos os modos, até financeiramente, tiranias mundo afora (antidemocráticas, em outras palavras) está em consonância com seus princípios fundacionais; melhor, decorre deles. Uma coisa é pendor autoritário, outra, pior, é doutrina totalitária. E é totalitária a doutrina fundacional do PT, alma propulsora da organização e de seu modo de agir, nunca renegada, exposta, aliás, de modo aberto, em sua “Carta de Princípios”, datada de 1º de maio de 1979, postada há anos com destaque no site do partido. Proclama ali basear sua concepção de governo na democracia direta ▬ nenhuma palavra de compreensão para a democracia representativa ▬ dirigida pelos trabalhadores [uma das maneiras de afirmar que visa o governo dos sovietes]: “[o PT] afirma, outrossim, que buscará apoderar-se do poder político e implantar o governo dos trabalhadores, baseado nos órgãos de representação criados pelas próprias massas trabalhadoras com vista a uma primordial democracia direta”. Conselho de trabalhadores; soviet em russo é conselho. Não só o PT desperta preocupação. O mais importante aliado do PT na chapa, o PSB, tem programa descarado (meta ambicionada, a ser perseguida paulatinamente) que nega a propriedade privada no campo ▬ estatização total. No futuro, segundo os delírios programáticos do PSB, o agro nacional será composto de grandes fazendas estatais, “kolkhozes”, modelo já aplicado por décadas, para ser claro. O PSB em seu programa reconhece disfarçadamente realidade em geral ocultada: o desastre pavoroso do atual modelo de reforma agrária que empilha fracassos, vai abandoná-lo. O texto traz pequena concessão ao estatismo delirante: para pequenas propriedades, será facultado usufruto para particulares, quando necessário, mantido o domínio estatal. Aqui vai o programa do PSB, postado no site do partido: “Da terra: a socialização progressiva será realizada [...] organizando-se em fazendas nacionais e fazendas cooperativas assistidas. [...] O programa de latifúndio será resolvido por este sistema de grandes explorações, pois sua fragmentação trará obstáculos ao progresso social. [...] Será facultado o parcelamento das terras da nação em pequenas porções de usufruto individual, onde não for viável a exploração coletiva”. Não esclarece se o domínio das fazendas coleitvas será do Estado; é o que seria coerente com a inspiração geral do programa de funda raiz socialista, ódio à propriedade particular. De outro modo, dezenas de milhões de empregados do Estado ou dele dependentes, sujeitos a gigantescas estruturas burocráticas. Receita certa para atraso, retrocesso, tirania, pobreza, roubalheira. E o modelo conselhista de governo (sovietes), ambicionado pelo PT, também, na prática, trouxe, não o mítico governo dos trabalhadores, mas a tirânica direção burocrática partidária do Partido Comunista, que tudo esmagou. Tirania e pobreza para o povo, no meio do desperdício generalizado, roubalheira correndo solta, atrofia e asfixia sociais. É o resultado, já comprovado pelas experiências históricas, da aplicação na prática dos delírios ideológicos do PT e do PSB. De momento, realidade macabra que nos ameaça, de momento pelo emprego amplíssimo do embuste, ainda que com aplicação compassada.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Relho no agronegócio

 

Relho no agronegócio

 

Péricles Capanema

 

Na superfície, afagos; na profundidade, recado com ameaças. Em relação ao agronegócio, as palavras de Lula na recente entrevista ao Jornal Nacional tiveram duas profundidades. Na superfície, a renovada tentativa de dissolver resistências, buscar aproximação, tudo fazer para obter votos. Mais fundo, foram advertência, aviso; potencial, mas efetiva declaração de guerra, condicionada à atitude do agronegócio em relação ao possível novo governo de esquerda. Se a reação for ativa e lúcida, o petismo tentará esmagá-la até as raízes, como foram triturados os adversários em Cuba, Venezuela e Nicarágua, cujos governos ▬ sempre convém lembrar, a recordação sinaliza possíveis rumos futuros entre nós ▬ são admirados e festejados pelos líderes do PT.

 

“No opposition, Thomas”. Enquanto lia ou assistia a trechos da referida entrevista, em sequência me assaltavam a mente cenas impressionantes do filme “A man for all seasons” ▬ “Um homem para qualquer situação” em tradução livre; aqui no Brasil teve o título “O homem que não vendeu sua alma”. No trecho memorado, Henrique VIII estava em visita a são Tomás Morus, então chanceler do Reino (1529-1532), espécie de primeiro-ministro. O rei convidou o anfitrião para caminhada no amplo parque da residência, bonito casarão rural. No meio de amabilidades, de quando em quando, o monarca inglês repetia: “No opposition, Thomas, no opposition”. Não admitiria oponentes ao seu novo casamento, nem mesmo do homem público mais importante da Inglaterra. Aviso claro. A conversa entre os dois retomava o tom jocoso e cordial. Em suma, são Thomas Morus poderia fazer o que quisesse, teria honras ainda maiores das que já havia recebido, desde que não fosse, nem parecesse opositor ao repúdio arbitrário de Catarina de Aragão e enlace posterior com Ana Bolena. “No opposition Thomas”. No caso, foi intolerável até o silêncio de Tomás Morus (à vera eloquente e inequívoco) a respeito do divórcio real. O crime venceu; depois de processo escandaloso, o chanceler foi decapitado em 1535, tinha 57 anos. A Igreja Católica o canonizou como mártir. O paralelismo das situações ficava marcante para mim. Na entrevista referida, cordialidade, certo tom jocoso, brincadeira; pelo meio, recados. Será perseguido o agronegócio se fizer oposição eficaz ao eventual novo governo petista. A ameaça valia em particular para seus setores mais atuantes na esfera pública. Como aconteceu com as oposições na Nicarágua, Cuba e Venezuela (trucidadas), governos amigos e apoiados pelo petismo, reitero.

 

Confusão dissimulação, ameaças. A entrevistadora Renata Vasconcellos (RV) afirmou, o agronegócio [em linguagem caseira, os fazendeiros, os produtores rurais, os que vivem do campo e fazem negócios relacionados com a agricultura e pecuária] ou pelo menos “grande parte” dele não apoiava o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (LILS). Lula respondeu: “A nossa luta contra o desmatamento faz com que eles sejam contra nós”. RV treplicou: “Mas o agronegócio e o meio ambiente caminham juntos”. Lula discordou: “Eles são contra”. Ou seja, o agronegócio é contra o meio ambiente; de outro modo, agride o meio ambiente. RV ponderou que Lula parecia dizer que o agronegócio “faz oposição ao meio ambiente”. LILS foi claro: “Faz”. RV discordou: “O que não é verdade”. Lula reiterou em frase confusa, mas de intenção e compreensão clara: “O agronegócio sabe que é fascista, é direitista, porque os empresários sérios que trabalham no agronegócio, que têm comércio com o exterior, que exportam para a China, esses não querem desmatar. Mas você tem um monte que quer”. Saem do foco os exportadores (por interesse); a acusação de “fascista”, direitista” e “desmatador” cai sobre o “monte” de empresários do agronegócio, presumivelmente a maioria. Política clara, derrocar o monte. Continua a cantilena, apontando o futuro para a região amazônica: “Nós não precisamos plantar milho, soja ou cana, nem criar gado na Amazônia”. RV pergunta sobre um ponto central: “E qual será o papel do MST no seu governo?”. Lula não responde, saiu pela tangente, dizendo que o MST hoje produz e que está muito diferente do que era trinta anos atrás.

 

O agro sentiu o clima tóxico e percebeu as ameaças de perseguição. O “monte” foi gratuita e injustamente acusado de “fascista” e “desmatador”. De outro modo, composto de gente criminosa. O agro sentiu que, com instrumentos de governo da mão, esta será a atitude do petismo quando no governo. Foi advertência, recado. Ou acerta o passo, ou será perseguido implacavelmente pelos gabinetes do ódio do petismo, já hoje estruturados.

 

Retrocesso e exclusão. Virão à pencas acusações aptas para estear processos, tão ou mais gratuitas e vazias que as objurgações de Lula arremessadas na entrevista ao JN contra um setor que está garantindo o avanço econômico do Brasil, impedindo o retrocesso que virá com a aplicação do programa demolidor. Retrocesso cheio de espinhos, empobrecimento, agonia da liberdade, asfixia das possibilidades de crescimento. Fortíssima exclusão dos brasileiros das trilhas da prosperidade.

 

Em legítima defesa, enérgicas tomadas de posição. De norte a sul, associações de produtores rurais reagiram com intrepidez, autorizando esperanças de um futuro brasileiro livre e próspero. O “monte” se revelou repositório de promessas salvíficas, oxalá nunca sofra derrocadas. Destaco aqui algumas poucas manifestações, tiradas de baú onde se juntam dezenas, talvez centenas, de brados de indignação semelhantes. Resumem a inconformidade dos produtores rurais e expressam com fidelidade o teor dos argumentos esgrimidos. A FAEC (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará) divulgou nota de repúdio, na qual afirma, as acusações de Lula foram “levianas e criminosas”. Apregoa ainda a nota: “Ao qualificar o agronegócio como ‘fascista’ o candidato demonstra completo desconhecimento da realidade. Diferente do candidato, que nega o assalto aos cofres públicos da Nação quando estava no poder ▬ crime confessado por seus partidários ▬ os produtores rurais que fazem o agronegócio brasileiro são trabalhadores incansáveis. Durante a crise da covid o agronegócio brasileiro não parou. Fez isso, apesar dos delinquentes que invadem terras e atrapalham quem verdadeiramente produz. Delinquentes que contam com o apoio do candidato. A FAEC subscreve as palavras o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, que afirmou ‘não há mais espaço nesse país para uma equipe corrupta e incompetente; e muito menos para o retorno de um candidato que foi processado e preso como ladrão’”. Por seu lado, a Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul denunciou igualmente a forma leviana e criminosa com que Lula qualificou os integrantes do agronegócio no Brasil. Finalmente, a Associação Brasileira de Criadores de Zebu, por intermédio de seu presidente, divulgou nota de repúdio da qual destaco: “A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu vem a público manifestar seu repúdio às declarações do candidato à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, proferidas nesta quinta-feira (25) em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo. Durante sua participação no telejornal, Lula nominou como ‘fascista’ o agronegócio brasileiro, demonstrando completa ignorância sobre a importância e a realidade do nosso setor”.

 

Relho no agronegócio. Foi dado o recado, está posta a tentativa de intimidação. Como enfrentá-la? Pela inconformidade cada vez mais acesa, lúcida e refletida. Fervor, devoção, sacrifício, lucidez, reflexão. Só assim o chicote do autoritarismo de inspiração soviética, ameaça de fato contra todo o povo brasileiro, não lanhará as costas do agronegócio. Perseverando em tal conduta, o setor conseguirá com rapidez o oposto: a expansão, aumento da credibilidade assim como da respeitabilidade; e finalmente, a vitória de seus objetivos.

 

domingo, 28 de agosto de 2022

O logro do arroz orgânico

 

O logro do arroz orgânico

 

Péricles Capanema

 

Estacas firmes nos pântanos da credulidade. O PT vive de iludir. Tem vida para muitos anos, infelizmente existe gente à beça que é desatenta, ingênua, ou até que gosta de ser enganada. Caso recente, o elogio do MST como produtor rural, feito por Lula na recente entrevista ao Jornal Nacional. Vamos esmiuçá-lo, olhar de perto, é exemplo valioso do vezo petista de tapear.

 

É essencial diminuir a rejeição. Para ganhar a eleição, o morubixaba petista precisa baixar a rejeição a ele e ao PT, associados no imaginário popular a roubalheira, carestia, amizade com ditaduras. Um dos pontos em carne viva é o MST e logo atrás, na mesma linha, INCRA, invasões de propriedades e reforma agrária. O MST é ainda associado ao terrorismo. Na campanha de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro chegou a declarar: “Nós temos que tipificar suas ações [do MST] como terrorismo”. E aqui, decorrência lógica, perseguição ao produtor rural. O pacote macabro tem outros componentes. Em suas gestões, Lula e Dilma, o PT entregou o INCRA às suas bandas mais extremadas. A presidência do INCRA e as superintendências regionais eram consideradas quase como couto da corrente interna Democracia Socialista, que abrigava os setores mais extremados da seita petista. Aboletados no INCRA, os corifeus da Democracia Socialista agiam em sintonia com os chefes do MST. Lula, José Dirceu e outros da direção partidária se distanciavam assim dos desmandos da organização chefiada por Pedro Stédile, ainda que solidários com ela. O bloco controlador do partido pertencia ao grupo Construindo um Novo Brasil (CNB), abrigo dos políticos que alardeavam programa menos assustador. Não nos iludamos. Se Lula ganhar, volta renovado e fortalecido, por inteiro, esse show lúgubre. O INCRA, de novo, será entregue às alas mais extremadas. E boa parte de suas superintendências. Nos bastidores, o acordo já está feito e prometido o botim. O MST, sob o comando de Pedro Stédile, sintonizado com a nova direção do órgão estatal pilotado por extremistas, voltará a aterrorizar o país.

 

Me engana que eu gosto. Na sua necessidade inafastável de baixar a rejeição, Lula declarou na entrevista ao Jornal Nacional: “O MST está fazendo uma coisa extraordinária: está cuidando de produzir. Não sei se você sabe, o MST, hoje, tem várias cooperativas e o MST é o maior produtor de arroz orgânico do Brasil. Você tem que visitar uma cooperativa do MST, Renata. Você vai ver que aquele MST de 30 anos atrás não existe mais”. Nada mais simpático que a produção de alimentos orgânicos. Nada impressiona melhor que ser, na modalidade orgânica, o maior produtor nacional de alimento básico na mesa do brasileiro, o arroz. Cereja no bolo, o MST mudou, está manso, produz.

 

Os fatos. O candidato petista se referia à produção do MST no Rio Grande do Sul, que colhe 70% do arroz orgânico produzido no Brasil. Na safra de 2022, os assentamentos do MST (dados deles) colheram 15,5 mil toneladas ▬ Cooperativa Agropecuária Nova Santa Rita, assentamento Capela, região metropolitana de Porto Alegre, expectativa de produção, 15,5 mil toneladas de arroz orgânico. O Brasil é autossuficiente na produção do arroz, colheita e consumo em torno de 11 milhões de toneladas anuais. Exporta em torno de 1,5 milhão de toneladas, importa arroz da Argentina e Paraguai. O consumo diário de arroz no Brasil está por volta de 33 mil toneladas. Esteado sobre tais dados, a produção de arroz orgânico trombeteada pelo MST daria para atender a aproximadamente 11 horas de consumo no Brasil. Menos da metade de um dia. E aqui estou admitindo como inteiramente idôneos os dados fornecidos pelo MST (useiro e vezeiro na utilização de fraudes e mentiras), total de produção e inexistência do uso de agrotóxicos.

 

Mais fatos. Em 26 de agosto, Vlamir Brandalizze, engenheiro agrônomo altamente considerado no ramo, teve palavras esclarecedoras, divulgadas pela Gazeta do Povo: “O consumo diário de arroz pelo brasileiro é de 33 mil toneladas. Se fosse viver do arroz orgânico do MST, teríamos alimento só para meio dia de consumo da população, ou nem isso, apenas 10 horas. E nem sei se é garantido que se colha tudo isso, porque o arroz é uma cultura exigente no controle de pragas e doenças”. Continuou o especialista: “É um nicho muito específico, que atende uma fatia muito pequena da população. E para conseguirem viabilizar isso, eles têm que vender muito caro”. A “Gazeta do Povo” pesquisou os preços. Arroz orgânico Tio João custa R$15,89 o quilo. Arroz convencional do mesmo tipo R$5,19 o quilo. De outro modo, o MST produz para nichos ricos, é produto “premium”. Pobre não compra arroz orgânico. Observou ainda Vlamir Brandalizze, para ser viável economicamente, é preciso colher entre 8 e 10 toneladas de arroz por hectare. Enfatizou: “Em qualquer lugar do mundo, seja na China, na Tailândia, na Indonésia ou no Brasil. O pessoal do orgânico colhe de 3 a 4 toneladas, eles não conseguem produtividade. Daí, não tem como ser barato. Podem não gastar com fertilizante e defensivos, mas também não colhem”.

 

O logro do MST pacificado. O MST será, no governo petista, não o produtor do arroz orgânico, mas, como sempre foi, o espantalho a ser brandido para tornar mais flexível a classe de produtores rurais às imposições do governo petista. O arroz orgânico colhido pelo MST é mais uma mistificação do arsenal petista de artimanhas para embair a opinião pública. Deixando de lado fantasias, o partido pode até ter êxito na manobra, mesmo que parcial, o que já seria meia vitória: existem crédulos em todos os lugares e condições sociais, impressionam-se facilmente com patranhas bem empacotadas.

sábado, 27 de agosto de 2022

Democracia sem hipocrisia e cegueira

 

Democracia sem hipocrisia e cegueira

 

Péricles Capanema

 

Avalanche publicitária acachapante. Nas últimas semanas o Brasil assistiu a enorme avalanche publicitária em apoio da democracia ▬ entrevistas sem conta e alguns manifestos, sobressaindo-se a “carta” às brasileiras e brasileiros lida em 11 de agosto nas Arcadas. Nesse clima, o Datafolha constatou o maior índice histórico de brasileiros a seu favor: 75% (democracia é sempre melhor). Em fevereiro de 1992, segundo o mesmo instituto, o índice patinava em 43%. Nada tenho contra a defesa das liberdades naturais, a limpidez na votação e o respeito ao resultado das urnas. Sou a favor, sempre fui, reitero-o agora. hoje está cada vez mais necessário enfatizar o óbvio.

 

Fuga do efeito manada. Não gosto, contudo, de chover no molhado; de diferente ângulo, praticar a adesão fácil, que pode levar ao efeito de manada mental. E, todos viram, houve adesão fácil ao movimento, tinha ficado bonito e muitos baixaram a guarda. O que me faria tendente ▬ razão circunstancial, não determinante ▬ a não me juntar ao bando que então se manifestava. São águas passadas. Aponto agora ponto relevante da questão.

 

Veracidade e lucidez, pré-condições de arena pública saudável. A avalanche virou enxurrada, está se transformando em filete. “Flopou”. Por quê? Faltou autenticidade. Ficou notório, o movimento era inautêntico no miolo, eivado de contradições: de fato, tinha rumo, favorecia a candidatura petista. Marco Aurélio Mello, ministro aposentado do STF, ecoando sentimento generalizado, declarou à CNN: “"Se soubesse que o manifesto seria usado como instrumento político para fustigar o atual governo e apoiar um candidato de oposição, no caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eu não o teria assinado. Se arrependimento matasse, vocês estariam encomendando a minha missa de sétimo dia”. Embeiçado pelo palavreado sedutor, foi na onda. Pulou fora ddo retrocesso que até então patrocinava. Com ele, incontáveis. Desvelada a falsidade, recuaram; com a lucidez recobrada, deram as costas para o logro.

 

Inautenticidade e contradições. Ponto fundamental da autenticidade é a ausência de contradições; coerência, enfim. A apologia da hoje tão celebrada democracia precisa ser ampla, geral e irrestrita. Ser a favor dela aqui e com sinceridade também defendê-la lá fora. Não foi o que aconteceu. Um sem número de políticos e pessoas com presença nos meios de divulgação, partidários notórios da ditadura na Rússia, China, Venezuela, Nicarágua e Cuba, apresentaram-se e foram aceitos como lídimos paladinos da democracia. Esta incoerência logo que melhor percebida, esvaziou o entusiasmo da ala que recusava a inautenticidade. A duplicidade (dos simpatizantes de ditaduras) estava intoxicando o ambiente.

 

Ilustração amarga. Deixo aqui apenas um exemplo, sintoma relevante de posições de efeitos nefastos para o futuro brasileiro, infelizmente bastante generalizadas. A| ex-presidente Dilma Rousseff foi palmeada por ter firmado a carta lida em 11 de agosto nas Arcadas. Por aqueles dias deu declarações turibulárias sobre a ditadura comunista chinesa, onde o PCC oprime centenas de milhões de pessoas. A China, afirma ela, é “modelo admirável”. Modelo para quem? Certamente para o Brasil, chamado para babar de admiração pelos dirigentes do Partido Comunista que a aplicam. “Representa uma luz nessa situação de absoluta decadência e escuridão que é atravessada pelas sociedades ocidentais”. Sendo assim, as sociedades ocidentais, trevosas, são ofuscadas pelo fulgor da política aplicada pelo Partido Comunista da China. Contradições assim, aberrantes e ovantes, eliminam a seriedade na assinatura de qualquer manifesto a favor da democracia. Quem as aceifa, evidencia cegueira. Quem as pratica, como poderá evitar o epíteto de conduta hipócrita, que nasce natural, impulsionado de forma incoercível pela força da lógica?

 

Conluio da cegueira com a hipocrisia. Aliança mistificadora, ainda que inconfessada e até despercebida, mais comum que se costuma pensar, esteada no romantismo e na superficialidade, sempre prenhe de catástrofes. Entre outros efeitos, leva a opinião nacional a se acostumar com o engodo e a dissimulação. À vera, é caldo de cultura para miséria material e moral, fortalecendo condições para perpetuação de governos ditatoriais. Em especial nesse clima eleitoral, a opinião nacional estará sujeita a mistificações que ofuscarão seus olhos e farão os ouvidos mais abertos à hipocrisia. Quanto não à mentira descarada.

sábado, 20 de agosto de 2022

Submissão total aos objetivos comunistas ou implacável perseguição religiosa

 

Submissão total aos objetivos comunistas ou implacável perseguição religiosa

 

Péricles Capanema

 

Perseguição religiosa na campanha presidencial brasileira. A campanha política no Brasil (eleições em outubro próximo) começa com tema inesperado: o assunto quente da perseguição religiosa. Nada tem de artificial; é gravíssimo, à vera, para qualquer católico. Lula, em repetidas ocasiões, tenta escapar do tema. Quer varrê-lo do debate. Poderá ser colocado por baixo do tapete, mas continua realidade a ser considerada com muita seriedade.

 

Falso anacronismo. Colocou0o na ordem do dia pessoa queridinha da esquerda brasileira ▬ xodó intocável. O ditador da Nicarágua destampou o caixão e escancarou para todos a realidade escondida. Ou os católicos acertam o passo com a revolução ou serão perseguidos. Foi assim no passado, continua igual. A perseguição religiosa parecia realidade longínqua, coisa para Coreia do Norte, fato quotidiano dos regimes soviéticos, já desaparecidos, e, ainda hoje, do chinês, disfarçado embora. Por aqui, não. Ortega evidenciou: por aqui, sim.

 

A companheira de viagem fortaleceu o carrasco. Um fato deformava o quadro real. Por décadas a esquerda católica vem sendo companheira de viagem do petismo. A esquerda no poder favoreceria atividades da Igreja, era a esperança. Com uma condição, cuidadosamente escondida: subserviência e colaboração.

 

De volta a agressão. Por razão brutal a perseguição religiosa deixou de semelhar anacronismo: sem rebuços, um dos maiores e mais queridos aliados do PT (o ditador Daniel Ortega) está perseguindo a Igreja Católica na Nicarágua. Acusa-a de “golpista”, “terrorista”. Ou o que lhe vier aos lábios; para justificar o retrocesso, qualquer mentira vale, aos montes teremos “fake news” em estado puro. O governo sandinista prende bispos, padres e leigos, fecha rádios e organizações católicas, reprime na Igreja quem ousa levantar a cabeça. Por quê?

 

Pão e liberdade. A razão é simples: os católicos estão sofrendo com a tirania e a miséria dominantes e crescentes na Nicarágua. Revoltam-se, têm reivindicação singela, pão e liberdade. Afinal, o sandinismo, menina dos olhos da esquerda católica e do petismo, manda no país há décadas e já passou da hora de melhorar alguma coisa na vida dos . E não mudou nada (aliás, mudou muito, e para pior): miséria no povo, o somozismo é fichinha diante da repressão sandinista, continua o favorecimento dos apaniguados, a roubalheira corre solta. Crescente presença imperialista da China. Com apoio, claro, dos irmãos Castro, de Maduro, da esquerda latino-americana, muito especialmente do PT e aliados no Brasil.

 

Ortega, o intocável. Querem sintoma expressivo? Alguém conhece algum dirigente do PT que censure Daniel Ortega  pela roubalheira, fraude nas eleições, perseguição religiosa e favorecimento escandaloso de familiares? Pelo contrário, é objeto de admiração. Sobre Daniel Ortega, em novembro de 2021, afirmou Lula: “Temos que defender a autodeterminação dos povos. Sabe, eu não posso ficar torcendo. Por que que a Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder e Daniel Ortega não?” Havendo condições, não nos iludamos, repetirão no Brasil o que Maduro, Ortega e Castro ▬ os intocáveis ▬ impuseram e infligem a seus povos. E aqui se inclui a perseguição religiosa. Há precedente macabro: a perseguição religiosa, com sem-número de mártires existiu gravíssima na antiga Cortina de Ferro, seus epígonos latino-americanos farão o mesmo aqui, se a tal as conveniências revolucionárias os aconselharem.

 

Recordações dolorosas e reveladoras. Em fevereiro e março de 1980, o progressismo católico, dele então corifeus dom Paulo Evaristo Arns, dom Pedro Casaldáliga e frei Betto, entre outros, promoveu em São Paulo grande celebração da revolução sandinista. Dom Pedro Casaldáliga, na ocasião, afirmou: “Eu me sinto, vestido de guerrilheiro, como me poderia sentir paramentado de padre. É a mesma celebração que nos empurra à mesma esperança. Apenas para terminar, gostaria de pedir para todos vocês, que sejamos consequentes. O que estamos celebrando, o que estamos aplaudindo nos compromete até o fim. Nicarágua nos deu o exemplo: todos nós, todos os povos da América Latina, todos os povos do Terceiro Mundo, vamos atrás!” E dom Paulo Evaristo Arns fechou da seguinte maneira: “Como concluir? Não há uma conclusão. A coisa apenas começou. Vejam esta pergunta — chega de teologia e vamos à prática: onde estão os grupos que vão para a Nicarágua, para aprender? Eu respondo: sei que, em São Paulo, há grupos se preparando e de malas prontas para partir. Até com a permissão do Arcebispo de São Paulo”. Os pastores bradavam em defesa dos lobos. E, então, os lobos uivavam em defesa dos pastores.

 

Nicarágua hoje. Tomo como base informações divulgadas pela swissinfo.ch, instituição reputada como das mais sérias da Europa. São sintomas de situação que pode se agravar. Dom Rolando Álvarez, bispo da diocese da Matagalpa foi preso na madrugada de 6ª feira 19 de agosto. Policiais invadiram violentamente, 3h20, hora local, a sede da cúria episcopal. É acusado de “organizar grupos viOlentos” para “DESESTABILIZAR O Estado da Nicarágua e atacar as autoridades constitucionais”. Com o bispo foram presos sete colaboradores e um operador de câmera. Quatro sacerdotes foram presos, dois seminaristas. A polícia distribuiu comunicado: “Na madrugada de hoje foi realizada nas instalações da cúria\ da cidade de Matagalpa uma operação que permitiu que as famílias e a cidadania de Matagalpa recuperassem a normalidade”. Como se vê, comunicado à altura do que divulgaria qualquer governo da antiga União Soviética.

 

Submissão total aos objetivos comunistas ou implacável perseguição religiosa. Coloquei como título do artigo “submissão total aos objetivos comunistas ou implacável perseguição religiosa”. Não foi exagero. É isso mesmo. O resto é ilusão e mito.

 

sábado, 23 de julho de 2022

O anestesista multifunção

 

O anestesista multifunção

 

Péricles Capanema

 

Anestesista polivalente. Geraldo Alckmin, médico anestesista, em 2022 escolheu ser político anestesista. No início da vida profissional anestesiava pacientes em geral deitados em macas, padeceriam cirurgias dolorosas, traumáticas e com risco de morte. Subiu de patamar. Busca agora anestesiar todo o eleitorado brasileiro que, espera, encontrará passivo, como seus pacientes de antanho, resignados, deitados em maca. Na chapa petista para a presidência da República, tem o triste papel de diminuir resistências à operação violenta e traumática, retrocesso pavoroso que a nação pode sofrer a partir de outubro próximo. Aqui também há risco de morte, o Brasil pode agonizar como nação cristã, ligada aos valores ocidentais. E se alinhar a Cuba, Venezuela, China, Rússia.

 

Sedação profunda para criar espaço ao extremismo. Onde em especial se localizará o trabalho de sedação, encomenda que recebeu o tucano vira-casaca, direta ou tacitamente, dos estrategistas da campanha petista para, com seu auxílio, dominar a máquina pública brasileira? Setores visados de forma particular: agronegócio, Brasil da roça (interiorzão), política externa, área social. Aqui, serão aplicadas altas as doses políticas de propofol, lidocaina e bupivacaina. Com efeito, o radicalismo petista ocupará largas faixas da política e da máquina pública, já prometidas em acordos de bastidor, convenientemente ocultados do público, no eventual novo governo. Fica então indispensável diminuir já, antes das eleições, o horror do futuro que nos espera, sob risco de inviabilizar a possível vitória eleitoral. A conta será pesada. Seremos aliados, confessos ou pelo menos efetivos, de frente antiocidental, capitaneada pela China, procurará minar a influência dos Estados Unidos no mundo. Alinhados, ajudaremos Cuba, Nicarágua, Venezuela e outros governos de esquerda. No Brasil, o INCRA, como aconteceu nas anteriores administrações petistas, será entregue aos extremados do partido, para gáudio de João Pedro Stédile e apaniguados do MST.

 

Contradição aberrante e silenciada. Melhorando, não é apenas silenciada, é escondida. Para ter êxito em sua empreitada como anestesista político, o médico anestesista Alckmin, era o normal, deveria ter se abrigado em partido ligado ao agronegócio, aos interesses ocidentais, ao Brasil empreendedor, amigo da propriedade privada e da livre iniciativa. Não foi o que fez. Correndo, foi buscar abrigo em partido com programa extremista, soviético. Ali festejou, com nutrida assistência, sua adesão de fato, mas escondida, a objetivos soviéticos. Resultados da aplicação de tal programa? Atraso, roubalheira, ditadura, pobreza. Ao se filiar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), é inevitável a constatação, declarou-se de acordo com o Estatuto, Programa e Manifesto do Partido. Repito, situação silenciada, ninguém sobre ela escreve. Resolvi andar na contramão, e uma das razões é que o antigo governador de São Paulo está escalado para falar com o agronegócio e interior do Brasil para ali angariar votos e sedar. Vamos às metas para o campo, expostas pelo PSB em programa oficial, sonho seu para o Brasil do futuro.

 

O radicalismo rural do PSB. Aqui está, “ipsis verbis” a estrutura do campo como a deseja o PSB: “Da terra: A socialização progressiva será realizada segundo a importância democrática e econômica das regiões e a natureza da exploração rural, organizando-se em fazendas nacionais e fazendas cooperativas assistidas, material e tecnicamente, pelo Estado. O programa de latifúndio será resolvido por este sistema de grandes explorações, pois sua fragmentação trará obstáculos ao progresso social. Entretanto, dada a diversidade do desenvolvimento econômico das diferentes regiões, será facultado o parcelamento das terras da nação em pequenas porções de usufruto individual, onde não for viável a exploração coletiva”. A tática é do passo a passo “socialização progressiva do campo” (estatização), rumo a porvir de miséria e ditadura, como o revelam os precedentes históricos. O futuro terá quase só grandes propriedades. Só que as grandes propriedades não serão privadas: serão estatais (nacionais) e comunitárias (cooperativas de trabalhadores). O conjunto será, é claro, dirigido por burocratas socialistas (como aconteceu na URSS), com emprego amplo das patotas sindicais que sugarão a “plusvalia” (para lembrar a tolice marxista) mirrada das explorações. É, via de regra, pessoal chegado numa propina. Aqui está o futuro da agricultura brasileira, desenhado pelos socialistas. A vida como ela é, para recordar Nelson Rodrigues.

 

Usufruto, e olhe lá, para o pequeno. Notei acima, o futuro terá quase só grandes propriedades. Não haveria um cantinho para o pequeno proprietário? Para o pequeno, sim. Para o proprietário, nem pensar. Será usufrutuário, o dono será o Estado. Imagina, o pequeno pode querer ficar médio; e o médio virar grande. Onde iríamos parar? Usufruto já está bom. Mais que isso, de jeito nenhum. Servos da gleba, na prática.  Seriam tolerados os servos da gleba (usufrutuários) no paraíso socialista para o qual nos convida hoje o neoconverso Geraldo Alckmin, o anestesista polivalente. Mesmo o usufruto (a condição de moderno servo da gleba) será concedido a contragosto: será apenas facultado, quando inevitável. O ideal é gente trabalhando nas gigantescas fazendas estatais ou nas fazendas de cooperativas de trabalhadores. Dependem do Estado e das burocracias sindicais. Em pleno século 21, estamos diante de programa ditatorial, asfixiante da prosperidade, delirantemente coletivista. Representa retrocesso cruel, generaliza miséria, favorece exclusão social.

 

Coerência. Quem divulga programa desse naipe, não pode, sem manifesta hipocrisia, defender a liberdade, a autonomia, o empreendedorismo. Mesmo que sejam políticos como Geraldo Alckmin que deram as costas para seu passado. Um político correto deve ter, como condição prévia para a vida pública,  a decência de defender o próprio programa. Indica coerência e transparência. O contrário é abrir campo para a acusação fundada de hipocrisia.

 

Coletivismo generalizado. Quem defende a agricultura sovietizada, logicamente não pode favorecer a iniciativa privada em outros campos. É o que acontece com o programa do PSB. Para o comércio exterior, a fórmula é: “O comércio exterior ficará sob controle do Estado até se tornar função privativa deste”. Estação final, função privativa do Estado. Estatização total, selvagem. O trabalho? Será considerado direito, mas também obrigação O Estado obrigará todo mundo a trabalhar. Diferença de rendas, fundadas no esforço e no mérito? Serão eliminadas, o trabalho manual terá o mesmo valor que o intelectual: “O trabalho será considerado direito e obrigação social de todo cidadão válido, promovendo-se a progressiva eliminação das diferenças que atualmente separam o trabalho manual do intelectual.”.

 

Estatização da indústria. O setor industrial, é coerente, não escapará do estatismo selvagem. Será todo estatal, processo que começará pela estatização dos setores básicos: “Socialização progressiva dos meios de produção industrial, partir-se-á dos ramos básicos da economia.” Socialização, todos sabem, pertencer à sociedade, é eufemismo para estatização, termo que vem sendo evitado, pois é associado com os efeitos macabros que as políticas, nele inspiradas, apresentam historicamente, a saber, porrete, miséria e roubalheira.

 

Resumo do pesadelo, estatização ampla, geral e irrestrita. Ainda que gradual, evitando agressões causadoras de graves prejuízos políticos (a gradualidade anestesia), o objetivo não difere das metas clássicas dos partidos comunistas ao longo da História. Como última alusão ao Programa jurássico do PSB, a afirmação de que o Partido quer estatizar todos os meios de produção (fazendas, indústrias, lojas, oficinas): “O objetivo do Partido, no terreno econômico, é a transformação da estrutura da sociedade, incluída a gradual e progressiva socialização dos meios de produção, que procurará realizar na medida em que as condições do país a exigirem”. Ocultar tais aspectos, proclamados oficialmente, do programa socialista ajuda a anestesiar a opinião pública. O médico anestesista Geraldo Alckmin infelizmente embarcou em tal empreitada.

 

Reversão dos efeitos da anestesia. Sugamadex reverte os efeitos da anestesia em até três minutos ▬ elimina consequências de doses fortes do propofol. Alerta, esclarecimento, clareza é do que estamos necessitados ▬ sugamadex ▬ para caminhar certo e votar bem. Nunca silenciamento ▬ propofol.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Dom Luiz governou o Brasil

 

Dom Luiz governou o Brasil

 

Péricles Capanema

 

Permanece fúlgida a marca imorredoura. Sepultado no Cemitério da Consolação na capital paulista em 18 de julho, faleceu em 15 de julho dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil. Sua bisavó, a Princesa Isabel foi a última da família que, interinamente, segurou as rédeas do governo ▬ foi Regente do Império pela terceira vez entre junho de 1887 e agosto de 1888. Tardinha começando a cair, primeiras sombras, frescor intenso no ar, profusão de coroas de flores adornadas com textos emocionantes alinhavam-se, como sentinelas, ao longo da alameda que conduzia ao túmulo já aberto. Misturei-me silente ao respeitoso magote que esperava a chegada do corpo ao cemitério. Enquanto observava a ativa movimentação de tropas da Marinha, um ou outro uniforme de alto oficial, um sacerdote que supervisionava trabalhos, a mente divagava. Reflexões sucediam-se naturalmente; como num filme, a fantasia buscava aspectos da vida e da personalidade do príncipe que em instantes ali receberia as últimas homenagens. Para os que tiveram a ventura de conhecer dom Luiz, deixa marca imorredoura. Soube unir na personalidade paternal, com cativante harmonia, qualidades raramente próximas: modesto, senso perfeito e discreto da posição, batalhador, convívio suave; mais ainda, sofredor, penitente, resignado, piedoso. A enfermidade o estigmatizou, jamais o derrotou moral e psicologicamente.

 

Governo dos comportamentos. Repentina saltou constatação: “Pena, dom Luiz nunca governou o Brasil”. Logo após assomou a pergunta: “Nunca governou?” Brotava rápida a resposta, parecia simples, incontroversa; melhorando, nem tanto, borbotava à vera simplificadora e simplória: dom Luiz nunca governou, nunca assinou um decreto, por mais desimportante que fosse. Concomitante, aparecia outra resposta, subia do fundo do espírito e ia ganhando forma; matizada, revelava realidade mais funda: “Em termos, dom Luiz, sob um ângulo, governou o Brasil. Como nenhum outro governante”. Qual ângulo?

 

Renovação de doutrina antiga. É antiga, muito conhecida, a concepção que exporei abaixo, mas nos últimos anos vem ganhando teóricos de importância, entre os quais cabe destacar Javier Gomá Lanzón (em 2012 e 2014 a revista Foreign Policy, edição em espanhol, colocou-o entre os 50 intelectuais iberoamericanos mais importantes). Na esteira de muitos outros e até do bom senso comum, o celebrado erudito espanhol afirma, o mais importante em um governante é a exemplaridade. Dar bom exemplo, em português singelo. A doutrina vai além, se há o dever do bem exemplo, o governante que dá mau exemplo causa dano moral ao povo. Acontece com frequência, o dano moral não vem só. Muitas vezes há tragédias materiais envolvidas. Em resumo, a exemplaridade é a mais importante característica do governante. E dar mau exemplo é a pior. O governante (não só o governante político, todas as pessoas em posição de destaque, a qualquer título, a começar pelo pai e pela mãe) inspira comportamentos, favorece hábitos, combate costumes. Para a obtenção do bem comum de um povo, esse deve ser o grande objetivo do dirigente político. Influi fundo, marca por décadas, até séculos.

 

Governo estaqueado na exemplaridade (ou bom exemplo). Vamos ao que afirma Javier Gomá Lanzón: “O espaço público está cimentado sobre a exemplaridade, esse é seu cenário mais genuíno e próprio. A política é a arte da exemplaridade”. Para estear bem o bom governo, garante o intelectual espanhol, o dirigente deve “pregar com o exemplo. Só o exemplo prega de forma eficiente”. Promessas, discursos, atos administrativos, sem o exemplo, caem no vazio. Na Grécia antiga, da democracia direta, o cidadão participava do governo debatendo e votando na praça pública (ágora). Nos tempos modernos, de democracia indireta, igualmente não só o voto configura participação na construção do bem comum. Debater, opinar, protestar, apresentar programas, sugerir soluções, à maneira do grego antigo na ágora, também é contribuir para a obtenção do bem comum. Dentro de tal quadro, dar bom exemplo é a primeira e mais importante participação. Influi no tom moral da sociedade, na criação de seus rumos e expectativas, marca o que é estimulado, o que é desaconselhado, o que é proibido. E assim, vai mais fundo que a coação legal (que age nos atos externos), alcança o interior das personalidades, pensamentos, anseios, convicções.

 

O bom exemplo de dom Luiz. Don Luiz participou da obtenção do bem comum nacional de forma insigne pelo extraordinário bom exemplo de uma vida inteira. Nesse sentido, padrão moral perene, governou na mais alta acepção. E os brasileiros de bem, diante de sua memória virtuosa ▬ e de seu governo, como Chefe da Casa Imperial e sucessor legítimo da Princesa Isabel ▬ inclinam-se hoje reverentes e agradecidos. Em certo sentido, muito real, continua a governar. Como seu ancestral, são Luiz IX (1214-1270), cujo bom exemplo até hoje orienta em alguma medida o espírito dos franceses. Assim, com inteira exatidão, sob o ângulo do bom exemplo, podemos afirmar, Dom Luiz governou. E ainda governa.