domingo, 16 de setembro de 2018

Ficar doidão


Ficar doidão

Péricles Capanema

Franklin Martins não é um petista qualquer. Entre outras posições, foi alto funcionário das Organizações Globo e ministro de Lula (Comunicações). Na juventude, líder estudantil e guerrilheiro do MR-8. Nos anos da guerrilha, em 1969, idealizou o sequestro de Charles B. Elbrick, embaixador dos Estados Unidos. É radical, pertence à intelligentsia do PT, sabe e mede o que diz, não é doidão.

Em 14 de setembro se declarou satisfeito com a reintrodução do controle social da imprensa nos programas dos partidos de esquerda, em especial nos do PT e do PSOL. Controle social da imprensa, todo mundo sabe, é eufemismo para evitar dizer a realidade crua; em verdade é sujeição da imprensa pelo Estado, por sua vez pilotado por grupelhos revolucionários. Trata-se de atavismo incurável dos partidos de esquerda, atacar e extinguir a liberdade de informar.

Franklin falou no meio de gente farinha do mesmo saco no encontro sob o título “Radicalizar a Democracia ▬ por uma nova governabilidade”, que se deu no Hotel Nobilis em São Paulo. Ali se analisaram perspectivas para a esquerda no Brasil no esforço de regulamentar a imprensa ▬ amordaçá-la. É a nova governabilidade.

Virar doidão para radicalizar a democracia

Declarou na ocasião o antigo guerrilheiro: “Temos todos que virar doidões, ou seja, virar democratas”. Virar doidões significa correr riscos até agora evitados, entrar por caminhos aventurosos, acelerar etapas. Democratizar, na linguagem daquele meio, é no caso diminuir a força da propriedade privada e aumentar a importância da propriedade coletiva (intervencionismo e estatismo) nos meios de divulgação. Aqui vai a razão, a esquerda brasileira necessita da regulação da mídia para fazer viáveis seus objetivos, por exemplo expressos nos regimes de Cuba, Venezuela e China.

Dois outros pontos da pauta ali debatida, “doidões” também, empurram para o mesmo e trágico destino: "democratização das forças armadas" e "desmilitarização da polícia”. Apenas o programa do PSOL a eles alude, mas é aspiração de toda a esquerda dirigente. Totalitário e coerente, o atual programa de governo do PT fala em controle social do Judiciário e do Ministério Público, eufemismo, repito, para domesticação das duas instituições. Se a esquerda ganhar em 7 e 28 de outubro, podemos estar certos, uma pauta doidona ganhará vida instantaneamente.

Consciente ou inconscientemente, Franklin Martins ecoava palavras de José Dirceu de duas semanas antes. Em entrevista de 29 de agosto, Pedro Caroço (nome pelo qual foi conhecido em Cruzeiro do Oeste quando ali vivia clandestino) foi didático: “Temos um programa radical e a maioria do Parlamento precisa ser combinada com uma grande pressão popular”. Exemplo de pressão popular lembrada por ele, o cerco da militância à Câmara e ao Senado. Dobrar autoridades pelo amedrontamento sempre foi tática revolucionária. Vai na mesma direção da fala de Franklin, admitir riscos até agora evitados para impor um “programa radical”.

A asfixia das liberdades existentes

José Dirceu também não é doidão. De fato, ambos se dirigiam em primeiro lugar a setores radicalizados da esquerda, impacientes com as demoras ditadas pela resistência conservadora do público. Pretendiam assim animar, despertar esperanças, impedir dispersões e desânimos na militância. Mas não são apenas palavras ocas de estímulo à militância crédula.

Elas vão além. Para eles e tantos outros da direção petista já daria para começar a forçar o passo no rumo da radicalização. No caso, asfixiar paulatinamente a liberdade de informação, destruir a Lava Jato, domesticar ainda mais o Judiciário, avassalar o Exército e as Polícias. Ótimo para tal seria se vencessem as próximas eleições.

Franklin garante (e está certo), com controle da imprensa não teria havido o impeachment de Dilma (que ele chama de golpe). “[O golpe] nos obrigou a pensar que a democracia só existe com força se não houver oligopólio da mídia”.

Ficar doidão na arena política não é programa de quem promova o “comitas gentium”, expressão proveniente do Direito Internacional, mas que se aplica bem à arena pública interna (com muita liberdade se poderia traduzir por civilidade) e que constitui o clima adequado ao Estado de Direito. Pelo contrário, é programa de quem deseja exasperação das tensões, indiferente às dilacerações, para assim impor totalitariamente seus objetivos.

domingo, 9 de setembro de 2018

O berreiro dos promotores da exclusão


O berreiro dos promotores da exclusão

Péricles Capanema

Em 7 de setembro aconteceu mais uma patética caminhada do “Grito dos Excluídos”. A pantomima ridícula é repetida desde 1995, sempre arrastando os mesmos e desgastados grupelhos. A organização da caminhada por cidades importantes, que de plano obviamente exclui todo o Brasil que presta e só inclui minorias contestatárias, nasceu na CNBB e se mantém com seu auxílio, para vergonha dos católicos.

Na 56ª Assembleia Geral da CNBB, abril de 2018, dom Guilherme Werlang, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora da entidade, em companhia de outros bispos da tal comissão, dom Canísio Klaus, dom José Valdeci, dom André de Witte, dom Rodolfo, dom Luiz Gonzaga, informou aos demais bispos presentes a respeito da organização da marcha de 2018 que se realizaria em setembro. É triste, mas não consta que tenha havido desacordo sobre os planos.

Trata-se simplesmente de mais uma promoção de órgãos da CNBB, sempre fiel à sua cultivada condição de linha auxiliar do PT. O tal “Grito dos Excluídos” ▬ minha proposta, pisando o real, a pantomina poderia ser adequadamente denominada “O berreiro dos promotores da exclusão” ▬ nasceu em 1994 e a primeira foi realizada em setembro de 1995 com o objetivo de aprofundar o tema da Campanha da Fraternidade daquele ano. A partir de 1996 passou a fazer parte do “Projeto Rumo ao Novo Milênio”, com aprovação da assembleia geral da CNBB. Naquele ano, o lema do Grito (melhorando, berreiro) foi “Trabalho e Terra para Viver”. Ligou-se o tal Berreiro notória e confessadamente à agitação do MST nas ocupações de terras e promoção da reforma agrária. A reforma agrária no Brasil ▬ dificulta a produção, afugenta investidores e piora a situação dos trabalhadores rurais  ▬, obsessão um tanto delirante do fanatismo socialista da CNBB, é em verdade nua e crua a venezuelização do campo. Enquanto não colocar o campo brasileiro numa situação parecida com a Venezuela de hoje não vão sossegar.

A marcha de 2018 do Berreiro (24ª edição) teve como lema Desigualdade gera violência - Basta de privilégios - Vida em primeiro lugar. De passagem, a promoção da desigualdade harmônica é fator de paz social. A imposição da igualdade traz fome e tirana, ensina de forma trágica e sanguinolenta a história do século 20 e 21.

Quem participa do Berreiro no Brasil inteiro? Uma amostra do público que a CNBB atrai e dá espaço: líderes do PT, dirigentes do PCO, militantes do MST; assemelhados a rodo (não são muitos). E o público que exclui aos pontapés? Multidões e multidões, o Brasil da gente direita: donas de casa e mães de família católicas, proprietários rurais ameaçados pelas invasões, professores que querem ensinar e manter disciplina nas aulas, entre outros. Foge espavorido o Brasil que estuda, trabalha, cria os filhos, quer crescer na vida.

Dos fatos divulgados pela imprensa, deixo aqui dois exemplos. No Rio de Janeiro, foi realizada no mesmo horário do desfile militar. Entre os participantes de destaque estava Indianara Siqueira, uma trans, vamos chamar assim (nasceu varão). Ele (ou ela) organiza na antiga capital federal a Marcha das Vadias. Diz de si: “Nasci em 18 de maio de 1971, sete anos depois do golpe de Estado que implantou a ditadura militar no Brasil. Aos 12 anos comecei a tomar hormônios femininos. Aos 18 anos passei a usar roupas femininas. Virei prostituta em Santos. Virei militante pelos direitos humanos, me tornei presidente fundadora do grupo Filadélfia de travestis de Santos”.

Indianara estava no “Grito dos Excluídos” do Rio de Janeiro para se posicionar contra o fundamentalismo e para lutar pelos direitos das pessoas trans e profissionais do sexo: “As pessoas trans são as mais excluídas da sociedade, assim como na área trabalhista, quem se prostitui é excluído até dos direitos trabalhistas. E a maioria das trans tem como única opção a prostituição para sobreviver. Então, não existe uma luta só pelos direitos trans que também não passe pelo direito da regulamentação da prostituição das profissionais do sexo”, declarou.

Em São Paulo, o “Grito dos Excluídos” teve participação de muitos candidatos às próximas eleições. Foram ali na esperança de pescar alguns votos. Entre eles, Nivaldo Orlandi (Partido Comunista Operário), candidato ao Senado, que no microfone da marcha comentou assim o monstruoso atentado a Jair Bolsonaro: “Ninguém viu sangue nenhum. Vimos um grande chororô da imprensa, das lideranças ditas democratas. Agora, esse anjinho fascista, será que merece nossa solidariedade?”.

Vou recordar o óbvio, ser conselheiro Acácio. A CNBB oficialmente foi criada para levar as almas ao rebanho de Cristo, e de forma congruente favorecer a ordem temporal cristã como situação favorável ao “salus animarum” de seu múnus. No caso em análise, restou algum resquício de tal missão? Ou vemos o contrário? Veio-me incoercível à mente afirmações do arcebispo Carlo María Viganò em recente documento de repercussão mundial: o antigo núncio apostólico em Washington denunciou pastores que, palavras suas, incitavam os lobos a destroçar o rebanho de Cristo. É possível fugir da associação?

Outra obviedade: o Brasil limpo, amazonicamente majoritário, é o grande excluído do berreiro dos promotores da exclusão. Aqui está ponto que já há décadas dificulta e tem prejudicado gravemente a evangelização no Brasil. A CNBB, evidenciando falta de transparência, fecha-se sobre ele. Esse partidarismo das panelinhas ideológicas, retrocesso lamentável, diminui o oxigênio nos ambientes católicos; debilita-os. Com isso, impede avanços tonificantes. Arejamento, a asfixia precisa acabar.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Radicalismo goela abaixo do povo



Péricles Capanema

Na entrevista coletiva de 29 de agosto, por ocasião do lançamento de seu livro, José Dirceu foi didático: “Temos um programa radical e a maioria do Parlamento precisa ser combinada com uma grande pressão popular”. Como exemplo de pressão popular, citou o cerco da militância à Câmara e ao Senado. A intimidação de legisladores ▬, aqui entra o uso inescrupuloso de dossiês, às vezes chega até a ameaças à família, sequestros e morte ▬ constitui tática revolucionária antiga, empregada na Revolução Francesa, a torto e a direito na Revolução Comunista e, mais recentemente, amplamente utilizada na Venezuela. Aplicá-la no Brasil é congruente com as raízes doutrinárias do PT, na prática o sucessor do Partido Comunista. Basta que a ocasião se apresente e seja politicamente conveniente. O leninismo continua vivo.

José Dirceu se dirigia em especial a petistas e a membros de correntes ideológicas a ele próximas; em verdade anunciava plano de transformar o Brasil tão logo factível em uma Venezuela ▬ a marcha do radicalismo goela abaixo do povo rumo ao bolivarianismo. Para tanto, estimulava a militância a procurar eleger tantos quantos possíveis para a Câmara e o Senado, ademais de tentar colocar Haddad no segundo turno das próximas eleições. E aí fazê-lo vitorioso. O dirigente petista acha que haveria suficiente transferência de votos de Lula para seu ungido (ou seu poste), o que lhe garantiria a vaga em 28 de outubro: “Para a margem de transferência de votos ser dentro do que a gente espera, 20 ou 30 dias são mais que suficientes. A Justiça decidirá até 17 de setembro. Teremos tempo para cada eleitor tomar conhecimento de que Lula é Haddad e Haddad é Lula”.

Observou, ladino: “Eu não diria que é um programa com a faca no dente, porque esta expressão é praticamente de confronto aberto”. Caso se despisse da cautela de político matreiro, diria a realidade, é programa faca no dente, não há dúvida. Outra questão é se a liderança do PT conseguirá executá-lo, não dependerá apenas do fanatismo revolucionário de dirigentes e militância e dos que de que disponham. Como reagirá o povo?

O PT tem cartas boas na mão em seu intento de venezuelizar (ou cubanizar) o Brasil. Faz décadas (já era assim no período militar), a esquerda, em seus vários graus de radicalidade, “grosso modo”, domina a universidade, os seminários, as redações e os clubes grã-finos. É um câncer que deitou gigantescas metástases e que só poderá ser curado por trabalho ideológico sério ao longo de anos e anos a fio. Não é rósea nossa situação. Kerensky pavimentou a via para Lênin; os girondinos facilitaram o caminho para os jacobinos. O Brasil, triste sina, está apinhado de kerenskys e de girondinos. Não constroem estradas, mas as pavimentam, para que outros nelas trafeguem.

Um exemplo, talvez o mais conhecido. Na Jovem Pan, FHC comentou a possibilidade do segundo turno entre Bolsonaro e Haddad ou entre Bolsonaro e Alckmin. Perguntado sobre possível aliança entre PT e PSDB, respondeu sereno: “Espero que o PSDB vá para o segundo turno e acho que o PT espera a mesma coisa, mas dependendo das circunstâncias, eu não teria nenhuma objeção a isso”. A declaração irritou apoiadores de Alckmin; afinal, era o maior líder tucano confessando, a vitória petista não despertava objeção nele. FHC precisou arranjar uma saída de momento. Contudo, a posição de FHC não deveria surpreender, era coerente com princípios seus e conduta.

Existem nas situações acima ventiladas consonâncias profundas quanto a objetivos. “Pas d’ennemis à gauche” ▬ Não há inimigos à esquerda, lembrando fórmula cunhada em fins do século 19. Em encontro com intelectuais no Rio de Janeiro, abril de 2014, ambiente descontraído, FHC se deixou levar: “Hoje, se eu disser que sou de esquerda, as pessoas não vão acreditar. Embora seja verdade. É verdade!”. Prosseguiu: “O Chávez só me chamava de 'Mi maestro'. Eu dizia para ele: 'Baixinho, por favor’”.

Falava de consonâncias. Elas influenciam fundo, por vezes são determinantes nas atitudes.
Via de regra, contudo, para os revolucionários, é melhor que tais sintonias passem despercebidas, pois podem chocar opinião pública desavisada. “Baixinho, por favor”. quando não é possível escondê-las, é sempre a diretriz. A nossa bússola, para esclarecimento do povo, aponta rumo oposto, brado alto e nítido contra o conluio deletério, ainda para muitos oculto. O artigo já estava pronto quando houve o horrendo atentado contra Jair Bolsonaro. Graças a Deus, depois da angústia inicial, parece que caminha bem sua recuperação. O artigo continua atual, talvez tenha até aumentado de atualidade. Não julgo que deva modificá-lo.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Não lavou as mãos na bacia de Pilatos


Não lavou as mãos na bacia de Pilatos

Péricles Capanema

Como amplamente noticiado, em 22 de agosto o arcebispo Carlo Maria Viganò, núncio nos Estados Unidos de 2011 a 2016, ademais de ter ocupado importantes cargos na diplomacia vaticana (Delegado das Representações Pontifícias, por exemplo), divulgou documento intitulado “Testemunho” em que relata conivência e até promoção do homossexualismo em especial na Hierarquia católica dos Estados Unidos. O mais importante caso denunciado foi a proteção por parte de altas autoridades na Hierarquia eclesiástica ao antigo Arcebispo de Washington, o então cardeal Theodore McCarrick (renunciou ao chapéu cardinalício; o primeiro caso desde 1927).

Suas acusações de acobertamento, conivência e promoção não se limitaram aos Estados Unidos. Alcançaram Roma (outros locais ainda), implicam altíssimos hierarcas católicos, entre os quais os cardeais Sodano, Bertone e Parolin, secretários de Estado.

Afirma o antigo núncio, existe um pacto infame de silêncio, uma omertà, que une hierarcas, sacerdotes e seminaristas. “Temos de ter a valentia de derrubar esta cultura de omertà e confessar publicamente as verdades que mantivemos ocultas”. Dom Viganò denuncia ainda, continua ativa rede de homossexuais dentro das estruturas da Igreja.

Entre outras medidas de saneamento, dom Viganò reclama a demissão imediata de todos os envolvidos no acobertamento e promoção dos vícios homossexuais na Igreja.

O mais grave da denúncia vem aqui: “Francisco está abdicando do mandato que Cristo deu a Pedro de confirmar a seus irmãos. Mais, com sua ação os dividiu, os induziu em erro, estimula aos lobos a continuar destroçando as ovelhas do rebanho de Cristo”. Em outras palavras, aponta gravíssima lesão aos deveres do cargo.

Prossegue: “Neste momento extremamente dramático para a Igreja universal tem de reconhecer seus erros e, em coerência com o princípio da tolerância zero, o Papa Francisco precisa ser o primeiro a dar o exemplo aos cardeais e bispos que encobriram os abusos de McCarrick e tem de se demitir juntamente com eles”. O Papa Francisco afirmou no voo de volta da Irlanda, não dirá uma palavra a respeito. O Vaticano até agora tem se mantido silente.

Não vou tratar do documento de dom Viganò, já muito divulgado. Nem de reações a ele que tiveram relevância na imprensa. Pretendo apenas destacar reações ainda pouco conhecidas do público brasileiro. Dom Joseph Strickland, bispo diocesano de Tyler no Texas, merece nelas menção especial. Tomou posição imediata, diante do que entendeu seríssima e pessoal responsabilidade pastoral. “Pilatos, vendo que nada adiantava, mas que cada vez era maior o tumulto, tomando água, lavou as mãos diante do povo, dizendo: ‘Eu sou inocente do sangue deste justo’” (Mt, 27, 24). Fez o contrário de Pilatos.

Transcrevo trechos do comunicado do bispo diocesano de Tyler: “Prezados sacerdotes, diáconos, religiosos e diocesanos da diocese de Tyler: Uma carta do Arcebispo Viganò (texto completo anexo), antigo núncio nos Estados Unidos, apresenta afirmações graves e pede a renúncia de prelados de alta hierarquia, entre eles o Papa Francisco. Vou ser claro, são ainda denúncias, mas como seu Pastor, as acho verossímeis. A resposta deve ser uma severa investigação. Não tenho autoridade para iniciar tal investigação, mas utilizarei minha voz de todos os modos para reclamá-la. Todos os que forem encontrados culpados precisam prestar contas, até mesmo nos mais altos níveis da Igreja. Rezemos todos pela Igreja e peçamos a intervenção de Nossa Senhora. Somos o rebanho de Cristo. O Espírito Santo nos guiará nestas trevas. Ordeno a todos os sacerdotes que informem a respeito os fiéis nas missas do dia 26 e imediatamente postem o material nos seus websites e outras mídias sociais”

Outras manifestações vieram na mesma direção, também de grande significação. O bispo diocesano de Phoenix, dom Thomas J. Omsted, divulgou o seguinte comunicado (trechos): “Já faz 39 anos que conheço o arcebispo Carlo Maria Viganò. Fomos colegas na Secretaria de Estado da Santa Sé. Ainda que nada saiba da informação que ele revela, e assim não posso verificar sua autenticidade pessoalmente, sempre considerei e respeitei dom Viganò como homem de verdade, fé e integridade. Por esta razão, peço que o testemunho do arcebispo Viganò seja levado a sério por todos e que cada denúncia feita seja investigada a fundo. Todos os que encobriram tais atos devem ser conhecidos”.

Monsenhor Jean-François Lantehaume, também antigo núncio em Washington, não quis falar sobre o caso. Mas afirmou: “Viganò disse a verdade. É tudo”. No Facebook, um pouco mais: “O núncio Viganò é o prelado mais honesto que conheci no Vaticano”.

De enorme importância foi a declaração do cardeal Daniel DiNardo, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (a CNBB de lá). Segundo ele, as acusações do arcebispo Carlo Maria Viganò “merecem respostas que sejam conclusivas e baseadas em provas. Sem tais respostas, homens inocentes podem ser manchados por falsas acusações e os culpados podem ser deixados livres para repetir os pecados do passado”.

Em atitude que pode se multiplicar no Episcopado dos Estados Unidos, dom Samuel Aquila, arcebispo de Denver, divulgou o seguinte comunicado: “Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo: Muitos de vocês sabem que na semana passada o antigo representante do Papa nos Estados Unidos, o arcebispo Carlo Maria Viganò, deu a público testemunho que traz sérias denúncias sobre o caso do arcebispo McCarrick. Nos meus contatos com o arcebispo Viganò sempre percebi nele um homem de profunda fé e integridade. Uno-me ao cardeal DiNardo e ao Comitê Executivo da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos solicitando à Santa Sé investigação completa das denúncias que inclua autorizar uma comissão de leigos que examine o caso”.

Tenho diante de mim mais de trinta manifestações de bispos, arcebispos, um cardeal, professores de moral e de teologia, leigos de destaque solicitando a mesma investigação. Não é possível delas tratar aqui; aliás, estão na rede, em inglês e em outros idiomas.

“O clamor dos filhos de Israel chegou a mim; e eu vi a sua aflição”, lemos no Êxodo. A frase vem de Deus, claro, mas, por analogia, vale para quem Deus colocou para guiar o povo nas vias da salvação. Vale até para o católico simples. Não era segredo, o povo fiel, de há muito vem se sentindo órfão, escandalizado observa pastores cuja conduta, lembrando a imagem de Viganò, estimula lobos a massacrar ovelhas. Um primeiro passo na direção oposta ▬ não lavar as mãos na bacia de Pilatos ▬ desperta esperança de que outros virão no mesmo rumo, seria uma caminhada de restauração. Rezemos.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

O caminho da grandeza



O caminho da grandeza

Péricles Capanema

Para sua vida cada um ambiciona, incansavelmente, uma nota de grandeza. Sempre cobiça alguma coisa que a eleve, que seja por instantes, da mediania na qual patina para patamar de excelência. Memoráveis, a atitude ou conduta seriam como cerejas em bolo insosso. Tantas vezes aconteceu, um simples ato de heroísmo ou de abnegação foi celebrado por familiares do autor por décadas a fio. A vida fica então mais elevada, fulgurante, justificada.

Se possível, todos desejam muito mais, óbvio, almejam a vida mergulhada na grandeza. Quando despretensioso tem grande potencial, é ideal nobre e civilizatório, embebido do impulso de perfeição. Existem dele incontáveis formas, a grandeza moral, a política, a militar, artística, patrimonial, intelectual, familiar, tantas outras, enfim. São avanços na ladeira da perfeição, dificultam retrocessos sociais.

Tais reflexões flutuavam meio descosturadas, enquanto ouvia atento o Evangelho da missa de domingo 19 de agosto. Como luva na mão, o pensamento se encaixava no texto lido. São Lucas relata a visita de Nossa Senhora a santa Isabel, sua prima, casada com Zacarias, sacerdote do Templo de Jerusalém, posição de destaque na sociedade do tempo; ambas esperando um filho. Tratava de cinco personagens de expressão insuperável na história humana, em especial na história da salvação: Nosso Senhor, Nossa Senhora, são João Batista, santa Isabel, são Zacarias. E das atitudes de dois deles, Nossa Senhora e santa Isabel.

Nenhuma ostentação, nenhuma bazófia, total ausência de fanfarronice na conduta e nos diálogos. E nem poderia ser diferente, cenas a anos-luz do que estamos acostumados a presenciar da manhã à noite em nossa sociedade obcecadamente exibicionista. Ali pululavam lições de que a grandeza (a verdadeira) é irmã da humildade e ambas respiram veracidade.

Nossa Senhora, muito jovem ainda, foi assim recebida pela prima, anos mais velha, mulher em situação social de destaque: “A que devo a ventura de que a mãe de meu Senhor venha ter comigo?” Enuncia a razão: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. Santa Isabel, reverente, reconhecia alegre, não estava à altura de receber e ter a prima em casa. Modelo de conduta para quem aspira à grandeza, o primeiro passo sempre é reconhecê-la alegre e reverente quando em outro a percebe, não importa o campo.

A história do mundo toma rumo novo por tal manifestação de humildade, expressa em frase leve de pessoa educada, respondida por outra lição de modéstia, que também atravessou os séculos. Maria cantou o Magnificat iniciando-o no mesmo tom: “A minha alma engrandece o Senhor; e meu espírito exulta em Deus meu Salvador. Porque pôs os olhos na baixeza de sua serva”. Ali estava uma escrava.

A seguir, palavras que nenhum homem pode repetir, senão como prece: “De agora em diante todas as gerações me chamarão bem-aventurada”. Em cada uma das gerações, até o fim do mundo, a partir do louvor de santa Isabel ▬ nesse sentido a primeira devota pública de Nossa Senhora ▬, ecoa e ecoará a glorificação prenunciada no Magnificat. Diante disso, o que é a grandeza de um césar, no meio de aclamações, entrando vitorioso em Roma? Poeira suja.

Maria, como hóspede, despretensiosa, por três meses ficou na casa de Isabel, anfitriã, ajudando-a. Depois voltou para a sua. Como disse, cinco pessoas conviviam ali, Nossa Senhora, santa Isabel e são Zacarias. Falavam de duas outras, que ainda não tinham visto a luz do dia: Nosso Senhor e são João Batista. Aquele encontro poderia ser intitulado a estadia das preparações.

Pela presença, atitude e palavra a Mãe de Deus moldou o ambiente em que viveria o Preparador do caminho para seu Filho. São João Batista tinha por missão preparar caminhos. “preparai o caminho do Senhor” (Is., 40,3). E o profeta Malaquias disse dele, haveria de preparar “o caminho diante” de Cristo. É a voz que clama no deserto: “Preparai o caminho do Senhor” (Is. 40:3). Sua missão, nas palavras de são Lucas, era “habilitar par o Senhor um povo preparado”.

João Batista seguiu o exemplo da mãe, reconheceu sempre seu lugar de preparador, precursor: “Eu não sou o Cristo” (Jo., 1, 20). E quando viu Cristo de longe, apontou-o para que seus discípulos o deixassem e seguissem ao Mestre divino: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo, 1, 29). “Estava João outra vez na companhia de dois dos seus discípulos e, vendo Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus! Os dois discípulos, ouvindo-o dizer isto, seguiram Jesus” (Jo, 1, 35-37). Que ficasse sem discípulos, pouco lhe importava, só desejava preparar as vias para Quem anunciava.

Continuo falando em grandezas naturais e sobrenaturais. Faltam palavras para qualificar são João Batista, apontado por Jesus Cristo como o maior homem que até então existira: “Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas, que fostes ver? Um homem vestido de roupas finas? Mas os que vestem roupas finas vivem nos palácios dos reis. Então, que fostes ver? Um profeta? Eu vos afirmo que sim, e ainda mais do que profeta. É dele que está escrito: eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti. Entre os nascidos de mulher, não apareceu nenhum maior do que João, o Batista” (Mt, 11,8- 11).

Acabou minha labuta. Matutava em formas várias da grandeza, a leitura do Evangelho atraiu minha atenção para textos bíblicos a ela relativos, dali retirei extratos, neles cintilam condições para caminhar até ela. Achei útil compartilhar o trajeto com leitores. É caminho também para a perfeição, qualquer delas, até contêm conselhos para a santidade. Lições para cada um de nós.

sábado, 11 de agosto de 2018

O bom exemplo colombiano


O bom exemplo colombiano

Péricles Capanema

A América Latina, por obra sem graça de seus movimentos de esquerda, continua objeto da troça no mundo mais civilizado e especialmente da gente direita. Agora vamos a exemplo inaudito que se arrasta anos afora. Existe por aqui (excluo no caso a América Central e o México) um disparate [verdadeiro negotium perambulans in tenebris] chamado União das Nações Sul-americanas ▬ Unasul. Guarde o nome, Unasul, pode ser que deixe de existir daqui a pouco, não tem nenhuma importância.

Ninguém se preocupa com a joça (nem a esquerda, quando não encena para a galeria). A palermice tem sede em Quito, parlamento em Cochabamba e o presidente atual é o Evo Morales. Só faz bem duas coisas: torra dinheiro e dá vexame. A propósito, a cota brasileira para a geringonça é de 4 milhões de dólares anuais, há três anos não paga. Pagar e pendurar dá na mesma.

Vou apresentá-la melhor. Da Unasul participam, ou participavam, doze países; ia dizendo doze patetas: Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Equador, Peru, Chile, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia e Brasil (para vergonha nossa). Já existia desde 2004 uma altissonante Comunidade Sul-americana de Nações, da qual brotou em 2008, gestada por hierofantes da política, à frente dos quais Hugo Chávez. Entre outros, Lula, Nestor Kirchner (depois a mulher), Evo Morales, Rafael Correa, Tabaré Vásquez (depois José Mujica), Michelle Bachelet. Lustroso plantel, embora de padrão terceiro-mundista. O bruxo-mor da estrovenga sempre foi o coronel Hugo Chávez. O grande objetivo, fazer frente à influência norte-americana na região. Em agosto de 2009, esbravejava Chávez: “Chegou a hora da América do Sul, a hora da Unasul, confiamos na capacidade política de nossa nascente união para enfrentar agora essa ameaça [a influência dos Estados Unidos] que compromete o futuro de nossas repúblicas, o futuro de nossos povos e o futuro de toda a humanidade”. O futuro da Venezuela, bem entendido, não estava comprometido pelos delírios bolivarianos. Nos últimos anos, 2,2 milhões de venezuelanos deixaram o país, fugindo da fome e da ditadura, buscando futuro em outras regiões não flageladas pelo bolivarianismo.

A propósito, é óbvio, os Estados Unidos estão morrendo de medo da Unasul, os políticos em Washington nem conseguem dormir só de pensar que na América do Sul atua tal organização.

Em abril passado, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru finalmente anunciaram que deixariam de participar da Unasul. Não dava mais seguir fingindo que a tal estrutura não é um disparate dos pés à cabeça. Iam se reunir, formar comissões, emitir comunicados, coisas assim, tomar atitudes. Já estamos em agosto e quase nada.

A Colômbia forçou os acontecimentos, deixou a lenga-lenga, deu o bom exemplo de como as coisas devem ser feitas. Em resumo, apressou o passo, comunicou aos demais e lerdos participantes da maluqueira chavista: “Estou fora”.

Mergulhemos nos fatos recentes. Ivan Duque, o novo presidente colombiano, havia prometido durante a campanha tirar a Colômbia desse ambiente tóxico. Preto no branco, não admitia mais seu país “cúmplice da ditadura venezuelana”. Explicou: “Sou a favor de que a Colômbia se retire da Unasul, não podemos pertencer a uma organização que foi criada por Chávez para legitimar o seu regime e foi uma grande promotora, por seu silencio, de uma ditadura. Parte da tragédia que se vive na Venezuela se deve à grande indiferença dos países latino-americanos”.

Com três dias no cargo de mandatário supremo da Colômbia cumpriu a promessa. Na sexta-feira, 10 de agosto, Carlos Holmes Trujillo, ministro das Relações Exteriores, anunciou que a Colômbia estava abandonando a Unasul. “É uma decisão política irreversível”. Acabou. O ministro convidou os outros países a se unir a este avanço no rumo da liberdade, da decência e da respeitabilidade. “Estamos em um processo de consultas com outros países que, aparentemente, desejam tomar o mesmo rumo. Se for consolidada decisão similar, atuaremos em conjunto”.
Se não for, paciência. A Colômbia tomará sozinha a atitude. Grande avanço. Pelo menos um país da América do Sul deixa de fazer papelão feio diante do mundo. Nem todos entre nós escolheram a apatia no pântano do retrocesso.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Os drones que podem nos atacar


Os drones que podem nos atacar

Péricles Capanema

Até agora ninguém informou direito o que aconteceu no sábado com Nicolás Maduro enquanto presidia a comemoração dos 81 anos da Guarda Nacional. O mandatário grita que foi atentado a partir de drones. Contudo, nenhum dos onze jornalistas presentes à cerimônia viu os tais drones. Uns garantem, houve incêndio em apartamento próximo ao desfile. Outros, explodiu botijão de gás dentro de um apartamento. Katherine Pita, moradora de prédio chegado ao local do desfile, nega a tal explosão do botijão. Afirmou: “Apenas um drone caseiro que se chocou contra o edifício e explodiu”. Parece que era um dos drones que filmava o desfile. Luís Salamanca, cientista político venezuelano, afiança que “ninguém sabe exatamente” o que aconteceu “nem mesmo o governo”.

Nicolás Maduro aproveitou-se do insólito do caso e pulou para a frente da cena. Esgoelou que foi atentado terrorista para matá-lo com participação dos Estados Unidos, Colômbia e ultradireita venezuelana. “O nome de Juan Manoel Santos está atrás do atentado”, denunciou enfurecido. Começou a prender adversários.

Claro, Estados Unidos e Colômbia negaram participação na farsa. Juan Manoel Santos era na ocasião o presidente da Colômbia (entregou o cargo dia 7, 3ª). Foi tão estapafúrdia a acusação que o ex-presidente preferiu levar na esportiva: “Santo Deus! No sábado estava fazendo coisa mais importante, o batismo de minha neta”. Lembrou a propósito uma desparafusada acusação já antiga de que trabalhava em união com os serviços secretos britânicos e concluiu: “Sempre achei que aquilo era o cúmulo da loucura, mas não, enganei-me; ontem vi uma outra ainda pior, que estou em conluio com a inteligência dos Estados Unidos e com a direita venezuelana, preparando complôs para assassinar o presidente da Venezuela. No meu cargo, a gente desenvolve um couro de crocodilo, depois vira couro de hipopótamo, precisa ter couro grosso”.

A oposição venezuelana assegura que tudo não passa de circo montado pelo governo bolivariano para desviar a atenção da gigantesca crise pela qual passa o país, culpa da dupla Chávez-Maduro e aumentar a repressão. Apenas como lembrança, a inflação dos dois últimos anos, segundo o FMI, foi de 1.800.000%; isso mesmo, um milhão e oitocentos mil por cento. Continua disparada.

Nenhum país sério deu ouvidos à pantomima montada em Caracas. Demagogos e revolucionários rasgaram as vestes. O mais importante, a Rússia de Vladimir Putin, de olho no petróleo da Venezuela e na possibilidade de agir na América Latina. “Condenamos energicamente uma tentativa de atentado contra o presidente da República Bolivariana da Venezuela, perpetrado no dia 4 de agosto, que provocou sete feridos”, foi a solidariedade do governo o russo.

Cuba andou na trilha de Vladimir Putin. “Este ato de terrorismo, que pretende desconhecer a vontade do povo venezuelano, constitui nova tentativa desesperada de conseguir pela via do magnicídio o que não conseguiram obter em múltiplas eleições”, consta da extensa nota divulgada pelo ministério das Relações Exteriores da ilha-cárcere.

Bolívia, no mesmo rumo: “Repudiamos energicamente uma nova agressão e covarde atentado contra o presidente Nicolás Maduro e o povo bolivariano. Depois do fracasso em seu intento de derrubá-lo democrática, econômica, política e militarmente, agora o império e seus servidores atentam contra sua vida. Esta tentativa de magnicídio, delito de lesa-humanidade, mostra o desespero de um império derrotado por um povo valente. Nossa solidariedade. Força irmão presidente Maduro e povo bolivariano!”, delirou Evo Morales.

Na mesma direção desembestaram Irã, Turquia, Síria, Nicarágua, todos, como se vê, modelos impolutos de respeito aos direitos humanos.

O movimento narcoterrorista FARCS (antes sigla de Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, de momento sigla de Força Alternativa Revolucionária do Comum que agora protesta pisar via pacífica, e não consegue credibilidade quando blasona distância do tráfico das drogas) fez defesa altissonante de Maduro: “Rechaçamos e condenamos este grotesco atentado pessoal. É a mais séria tentativa de assassinato de Nicolás Maduro”.

E no Brasil? Os aliados e amigos das FARCS, Cuba e assemelhados não poderiam deixar de aproveitar a ocasião de apoiar o bolivarianismo. O PT, por meio de sua Secretaria de Relações Internacionais, fez causa comum com a trupe acima: “Rechaçamos as pretensões de violência que buscam alterar as decisões democráticas do povo da Venezuela, atentam contra a paz na Venezuela e na região latino-americana e caribenha”.

Perfilou-se também o PC do B: “O chamado Grupo de Lima, do qual faz parte, do qual faz parte o ilegítimo governo brasileiro, transforma a Venezuela em alvo constante de agressões diplomáticas, das quais se alimenta a crise política interna e o recurso a métodos criminosos de oposição política”. Acrescenta “o mais firme repúdio ao atentado dirigido contra a vida do presidente da República Bolivariana da Venezuela".

Mais um exemplo, o do MST, por meio da demagogia usual do chefe, João Pedro Stédile: “As forças do capital no império dos Estados Unidos já assassinaram muitos líderes populares na América Latina ao longo do século XX. Daqui do Brasil, em nome do MST e de todos os movimentos populares reunidos na Frente Brasil Popular, manifestamos nossa indignação em relação ao atentado e nossa solidariedade ao presidente Maduro e ao povo venezuelano”.

Por que me detive em tantos exemplos? Por razão da maior importância, será essa a companhia do Brasil no cenário internacional, caso a esquerda vença as eleições. O País, vulnerado por tais drones, se alinhará rapidamente com o que há de pior.

A propósito, acima falei da trupe que expressou solidariedade a Maduro. Termino transcrevendo acepções de trupe, segundo o Dicionário Online de Português: “Corja, reunião de criminosos, grupo de pessoas que prejudicam outras, escumalha, escória, gentalha”. É só; que Deus nos proteja.